sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Socorro, em que época estou?!



Sabe  aquela sensação de ter nascido na época errada? Bom, eu sinto isso todos os dias, acredito que desde de minha infância. Pode ser loucura, mas de fato, eu não curto muita coisa da minha geração, vivo escutando canções antigas ou viajando em filmes que jamais poderei apreciar na telona dos cinemas. Devo ter dado muito trabalho para minha mãe, avó e avô, por ser uma criança "diferente" das outras. Enquanto minhas irmãs inventam novas travessuras, minha diversão era escutar as histórias dos meus avós, sem contar que babava com os relatos de meu bisa, queria saber de grandes personagens conhecido dele, Horácio de Matos e Getúlio Vargas. O passado me encanta, o problema é que meu coração pulsa com acontecimentos que eu não presenciei, e jamais vou ter a chance de viver. Estranho, né?!  Mas esse é meu mundo.

Quando tinha cinco anos de idade, cismei com a música "Pra não Dizer que não falei das Flores", quis saber cada estrofe da canção, sobrou para minha avó. Tadinha, buscou a melhor maneira para explicar a uma menina curiosa o que foi a  Ditadura (ela é a melhor professora de história, um dia empresto um tiquinho dela para vocês) . Cartola também fazia parte do meu imaginário, quantas vezes fiz minha avó cantar O Mundo é Moinho, e assim, viver  cada palavrinha da canção. Era incrível, com  um piscar de olhos estava no cenário do mundo da música.
O meu apego as coisas antigas era e é tão grande, e isso me levou estudar Literatura antes mesmo dela ser apresentada na sala de aula, assim as lendárias escolas literárias passaram a ser as minhas as viagens favoritas. Diversas vezes fui a dama dos pastores do Arcadismo, me deixei levar pelo Romantismo e vibrei com o Realismo de Machado de Assis. Vivia e ainda vivo sonhando, sentindo saudade de uma época que só vou viver em meu imaginário.
A minha curiosidade por períodos marcantes na vida dos meu avós, pais e tios, é algo  inexplicável. Coloco um sorriso de um canto a outro, quando converso com alguém um pouco mais velho, é como se eu tivesse a chance de fazer o melhor passeio da minha vida. Acho que devido a essa loucura toda, escutei e ainda escuto: "Flavinha, como você pode ser tão diferente?". Juro que também não sei.
Se tivesse uma máquina do tempo, faria de fato uma viagem diária para todas décadas que me fascinam, brincaria com cada poeta, artista e tentaria ficar por lá, jamais sentiria saudades dos anos 2000.


E sonhos não param por ai...

 Espanto muita gente quando conto o meu sonho de casar com Chico Buarque, pode ser bem surreal, mas para mim faz parte da minha realidade, se não casar com ele, vou pelo menos tentar encontrar alguém com muitos encantos e personalidade parecida do meu "muso". É simples entender, eu sou louca pelo passado, claro que me apaixonaria por um cantor com canções que marcaram época. Entre meus desejos de menina sonhadora, já quis ser a dama do cabaré do Noel Rosa, (também quero o Woody Allen e Ivan Martins, mas isso é papo  para outro dia).  

São tantos desejos presos no passado, que só sonhando e usando a imaginação para realizar todos. E no meio da fantasia, loucura desvairada, eu sinto uma infelicidade  por não conseguir alcançar meus desejos,o  de ter nascido nas épocas amadas ou de ter em mãos uma máquina do tempo. Enquanto isso uso e abuso da minha mente, quem sabe um dia os cientistas não percebem o quanto criar um transporte para o passado é algo útil, talvez a melhor invenção de todos os tempos.
Enfim, termino com os Beatles mais um grupo que não tive a chance de acompanhar, porém é presente no meu dia. E com eles dizem:  "Nothing's gonna change my world"





                                                 

                                  















sábado, 1 de outubro de 2011

Mãe, meu amor maior!


 
" Per amore hai mai fatto niente solo. Per amore hai sfidato il vento e urlato mai ?" Sim, fazemos tudo e muito mais por amor. É difícil medir algo que não é palpável, mas estamos sempre exagerando quando se trata de um sentimento tão forte. É muito comum para quem atender todos os caprichos da pessoa amada, fazê-la feliz se torna a principal missão.
Acredito que o amor está dividido em diversas categorias: de mãe (o mais sublime), irmãos (o companheiro), amigos (o que você escolhe), o de amante (o avassalador, chega e nem avisa, toca alma e faz sentir borboletas no estômago) e dos bichos (esse ai, você é o escolhido). Cada um com seu encanto e particularidade, mas, irei falar do meu amor maior, aquele que sempre será incondicional, e me faz sorrir, vibrar de alegria só de lembrar. Tentarei resumir o máximo, porém quando o assunto é minha mãe, fica tudo complicado. Faço uma confusão com as palavras, trilhões de pensamento invadem a minha mente (isso ai é a média), e me deixo levar pela felicidade de ter um amor materno.
                                          
Ter uma mãe é uma dádiva, é ter a certeza que o Pai eterno te abençoou desde momento em que você foi gerado. Além disso, é contar com um amparo e apoio para cada queda e choro durante o percurso da vida. Sempre disse que eu escolhi ser filha de dona Suely Anjos, desejei ter uma mainha avulsa, cheia de amor e carinho, doce e muito firme na hora de educar. Não tenho queixas para fazer, amo cada qualidade e defeito dela. Só para constar a minha imensa gratidão, vou relatar algumas coisinhas que talvez nem ela lembre, mas contribuíram para aumentar a minha devoção por minha deusa (apelido ideal para uma mãe encantadora).
Sou a mais velha de três filhas, porém fui a mais mimada e protegida, sempre os meus gritos de apelos eram escutados por minha querida mãe.  Entretanto, devo confessar boa parte dos berros era só para ver o lindo movimento que o cabelo dela fazia, enquanto corria para atender a Fadinha em "apuros".  Outro fato bem marcante foi a minha vontade de aprender a ler e escrever, antes mesmo de ter idade para tal coisa. E ai, começou mais uma demonstração de admiração por minha mãe, eu queria pegar no lápis igual a ela.  Todas as professoras tentaram me ensinar à maneira correta, nada adiantou escrever idêntico a minha mainha, era o meu grande desafio.  As peripécias de amor não pararam por ai, quando ela viajava passava dias com uma blusa dela, era o jeito de acreditar que não estava sozinha. Ficava calma só em sentir o cheirinho da roupa, naquele momento nada podia me atingir, estava com uma super proteção.


Depois que fiquei maior, o amor foi crescendo junto com cada centímetro meu, e uma afinidade tomou conta da relação entre mãe e filha. Já não era necessários gritos e choros para ela entender que a Fadinha estava em apuros, bastava um simples olhar e a deusa acalmava a menina dengosa com um delicioso abraço. Os tempos foram passando, mas o apego não diminuiu nada, para a surpresa de todos familiares o grude aumentou ainda mais.  Quando dona Sú ficava ausente, era como se faltasse um pedaço de mim, o coração palpitava de saudade e a tristeza ganhava espaço. Ficar comigo na ausência de dona Sú, era uma tarefa difícil para as empregadas, tias e avó. Todas elas sofriam com as febres emocionais e uma dose extra de muito choro. E no meio de tanto desespero pela falta que eu sentia, escutava a frase mais batida na infância: "Você já cortou o cordão umbilical, tem que aprender ficar longe de sua mãe. Mocinhas não choram assim!”. Falar isso para mim era o mesmo que nada, não causava efeito algum, a dor não amenizava.
Com o passar do tempo tive que fazer algumas escolhas, crescer era fundamental e amadurecer era tarefa importante.  A vida adulta soprava em meio ouvido algumas palavras de desafio, as dúvidas ganharam espaço em minha mente de menina, mas era preciso ir para longe do ninho, afinal, eu já era uma Fada grande.
Mas, como toda Fada tem asas, voar e buscar outros horizontes era necessário, foi o que aconteceu. Conhecer outros mundos, aprender lidar com os medos e a distância era o ideal para ingressar na vida adulta. Meu desejo era ser madura e segura, essa lição não iria aprender no ninho de minha deusa. E assim, pela primeira vez tomei a decisão de voar sozinha, bater asas em um lugar onde o meu choro não seria acalentado de imediato.
                                 

Quase seis anos fora de casa, longe dos dengos e mimos, e o que aprendi com isso tudo? Muitas experiências, lições que só aprendemos quando alçamos voos sozinhos. Entretanto, o maior aprendizado foi a certeza que mesmo com a distância, todo grande amor prevalece. Hoje, longe de casa e do colo de minha mãe, estou convicta que a amo ainda mais. Porém, de uma maneira madura e passando adiante o conhecimento que só ela me ensinou.  Minha mãe, você será para toda a eternidade o meu amor maior!



"Quando passas, tão bonita  nessa rua banhada de sol , minha alma segue aflita"

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Quando a vida adulta fala mais alto

Calça a meia colorida e acredita está segura, livre de todos os medos e receios do mundo adulto. É isso que faço todas as noites desde que sair da casa dos meus pais. É estranho, mesmo longe, levamos para toda vida alguma característica da família, o que permite certa segurança, um bom equilíbrio para seguir em frente e aguardar o novo dia.
Relutei muito para escrever a respeito disso, não que me traga tristezas, mas fico surpresa com tanta mudança que passo. A cada dia tenho adquirido responsabilidades e ensinamentos jamais esperado. E o que fazer quando você já não é a garotinha cercada de mãe, avó, avô, tios e irmãos? No primeiro momento vem o choque: Cadê o povo todo para me acudir? Ei, eu estou chorando, onde vocês estão? Mãeeee, eu estou machucada e com dor, socorro! Essa é a pior parte da vida quase "adulta". Primeiro os choros são feitos as escondidas, depois eles são contidos, e por fim, ele só aparece no meio de uma forte dor. As dúvidas se tornam pesquisas do pai Google, e a saudade é sufocada com um bom livro ou com canções.

Sim, não tem nada fácil, mas quem disse que não podemos sorrir no meio da labuta diária. Apesar de tudo, sempre existirão momentos bons (geralmente eles marcam mais), pessoas de bom coração e muita dose de aprendizado. Costumo comparar a minha nova rotina com o café, tem dia que erramos a mão, colocamos muito pó e o danado fica amargo, ou esquecemos a dose certa de açúcar e caprichamos no doce. Bom mesmo é quando o café fica na medida, ai, tomamos com um gostinho de quero mais.

Outro dia conversado com uma amiga ela soltou: "Ah, você mudou, não é mais mesma", no primeiro momento fiquei ofendida, retruquei com um pouco de sentimento. Entretanto, de fato ninguém é a mesma pessoa após mais um dia de vida. Mudamos a todo o momento, o amadurecimento faz isso, te obriga mudar e nem sempre por vontade própria. Vamos nos adequar de acordo a necessidade do momento, se hoje faz mais frio vale saborear um bom chá, mas se amanhã o calor aperta, vamos correr para um bom sorvete.
As dúvidas estarão sempre presente, não importanta a idade.

Vale lembrar que a essência nunca muda, ela nos acompanha até mesmo quando passamos por uma dor violenta. Não importa tudo aquilo presente e aprendido com a linhagem da qual nascemos, levamos para todo sempre. Na verdade, a tal da essência é a soma do percentual de cada membro importante da família, aqueles que contribuíram para a formação do caráter (vale aqui um achismo, é meu pensamento, não precisa levá-lo tão a sério).

O que importa de verdade, é que mesmo com toda a vida adulta, aquela meia colorida vai estar prontinha para oferecer conforto, aliviar os medos, e assim, nos preparar para mais um novo de dia de muita batalha.




quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O charme dos 40, a fase da Loba




Após conversar com uma pessoa muito querida, que estava prestes a completar outra primavera, e além de conviver diariamente com mulheres mais velhas, decidi fazer um texto inspirado nas moças de 40 anos.  Foi depois de observar as atitudes, sabedoria e determinação que me motivei em escrever dessa fase feminina, também conhecida como idade da Loba.

As diferenças entre uma mulher de 40 e uma de 20, vão além dos sinais que o tempo trás.  A maturidade e a sensualidade feminina desse período são notáveis, elas são encantadoras não porque tem necessidade de provar isso para sociedade, fazem o que acha correto, mas se o errado lhe convém, com toda certeza elas se jogarão sem medo de serem felizes.

Todos os bordões presente na alma feminina acompanham as damas mais velhas, porém o choro agora não é  de insegurança, ou das diversas dúvidas da fase dos 20 anos. As lágrimas são de desabafo, podem ser por um relacionamento que não vai bem, ou por não terem realizado um projeto sonhado. Mas todo o sofrimento vem acompanhado de sabedoria, e elas sabem que conseguirão equilibrar-se  no trabalho diante de um salto alto, e não permitirão que ninguém além dos bons amigos percebem que estão em alguma crise. 

Como são invejáveis essas Lobas, que exalam sensualidade e elegância por onde passam. Uma mulher de 40 anos já experimentou diversas fragrâncias e tem a sua preferida, aquela que a acompanha para toda ocasião. Tente perguntar para uma garota qual o seu perfume preferido,  garanto que após dois anos ela terá já mudado de cheiro.  Não só o olfato, como também algumas peças do vestuário, as meninas acreditam que para chamarem atenção, é melhor  menos pano cobrindo o corpo.  As damas sabem utilizar roupas que valorizam as suas formas, mas sem parecem vulgar, apenas utiliza o charme e elegância para deixar os homens babando.


Mulheres mais velhas sabem o que querem de verdade, elas avaliam o bom e ruim de cada circunstância.Comportam-se com verdadeiras damas em um jantar e deixam o homem fazer o papel de cavalheiro.  Apreciam  uma boa noite em um restaurante fino ou simples, bebem desde cerveja a vinho, e não preocupam-se  com julgamentos masculinos.  Garotinhas não sabem desfrutar disso, tem medo da entrega, da ilusão de uma noite: “Ele me levou para jantar em um restaurante chique, quer que me iluda com a perfeição. Não existe algo perfeito, prefiro não sair novamente. Ele só quer me levar para cama, não darei o gostinho”. Aos 40 anos é importante aproveitar os momentos de uma boa Cia. Em alguns casos, além de render uma boa noite de prazer, surge eternos amores (meninas perdem tudo isso pelo medo de tentar).

Apesar dos meus 20 e poucos anos, sou uma grande admiradora dessas Lobas. Tenho aprendido muito com mulheres como minha mãe. Vocês são as verdadeiras divas, conduzem famílias, trabalham e desfrutam da melhor parte do amor masculino.

Mulheres de 40 estão fora da categoria de gatinha, mas são as verdadeiras tigresas da sociedade. Sabem quais são os seus valores e não precisam pedir conselhos, bastam observar o  que já viveram, portanto, tiram de letra a angústia  e a dúvida. No fundo vocês entendem que para algo dar certo, é necessário seguir sem medo dos erros.  “Bobagens, erros não passam de experiências para toda vida”.
Um brinde para todas as belas e requintadas lobas presente em minha vida. Eu já almejo sair da fase de gatinha e utilizar minhas garras de tigresa. Vocês são as mulheres divinas, não se esqueçam disso!


                                          Um das músicas que mais retrata a mulher madura.

sábado, 30 de julho de 2011

A grande alegria de ser tia




Te amo minha pequena!


Após um ano estou de volta ao meu infinito particular. Sim, considero o blog como um universo meu, um espaço onde eu posso desabafar, contar os meus medos, receios, minhas alegrias e as boas experiências presenciadas durante o percurso da vida. Durante o período longe tenho histórias para contar que dariam para escrever três vezes o livro "Viva o Povo Brasileiro", João Ubaldo Ribeiro ficaria com inveja de tamanha narrativa. Mas evitarei de falar do passado, porque o que passou já era, só me resta ter saudades dos bons acontecimentos e vibrar por deixado o que me causou tristeza para trás, bem longe do meu presente.
Para começar vou relatar a minha alegria em ser tia, sou a titia mais coruja do mundo. Minha irmã mais nova acabou de ter uma linda menina, batizada com o nome de Heloísa. A bebezinha já era amada por todos desde o início da gravidez, apesar de ter sido uma grande surpresa para a toda família. Ninguém imagina que a menininha tão mimada pela as irmãs mais velha, seria a primeira a ser mãe. Esse não é o percurso natural, os mais velhos devem ser os primeiros, no caso aqui, sou a mais lenta da família (mãe preocupa não, vai demorar!!!).
 Lolô (apelido carinhoso a Heloísa, dado por mim) chegou sem planejamento, ela nos encantou também sem pedir licença, arrebatou o meu coração e de todos da família. Não sei traduzirr o tamanho do amor, é algo que nem mil gênios com as mais diversas experiências seriam capazes de explicar. Um amor que vai além da razão e que faz meu coração vibrar, se encher de esperança só pelo simples fato de lembrar da minha sobrinha. Eu acho estranho, estou perdida no meio disso tudo. Como serzinho que mal sabe enxergar é capaz de causar tamanho rebuliço em minha vida? Não sei, mas tenho a certeza que meu desejo é fazer dela a criança mais feliz e querida do mundo.
O  bebê em um lar faz com que toda a família busque métodos para garantir um bom futuro para criança. É como se cada ação trouxesse benefícios ou danos para o futuro do pequeno, a sensação é que nos tornamos responsável pelo adulto que  um dia será. Eu ainda estou na fase de curtição total, tudo é motivo de vibração, choros e sorrisos são comemorados como se fosse a coisa mais importante do mundo. Tia boba é assim mesmo!
Enfim, queria mesmo era compartilhar com todos essa minha alegria em ser titia. Para completar a minha felicidade, deveria existir uma licença "tianidade"de quatro meses no mínimo, eu iria passar esse período colada  na minha Lolô. Sou coruja mesmo!! Finalizo a minha corujice com a música que embalei a jóia mais preciosa de todos os tempos. Até breve!




"Borboleta pequenina que vem para nos saudar
Venha ver cantar o hino que hoje é noite de natal
Eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira ando no meio das flores procurando quem me queira
Borboleta pequenina saia fora do rosal
Venha ver quanta alegria que hoje é noite de natal
Borboleta pequenina venha para o meu cordão
Venha ver cantar o hino que hoje é noite de natal
Eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira ando no meio das flores procurando quem me queira
Borboleta pequenina sai fora do rosal venha ver quanta alegria que hoje é noite de natal"