sábado, 1 de outubro de 2011

Mãe, meu amor maior!


 
" Per amore hai mai fatto niente solo. Per amore hai sfidato il vento e urlato mai ?" Sim, fazemos tudo e muito mais por amor. É difícil medir algo que não é palpável, mas estamos sempre exagerando quando se trata de um sentimento tão forte. É muito comum para quem atender todos os caprichos da pessoa amada, fazê-la feliz se torna a principal missão.
Acredito que o amor está dividido em diversas categorias: de mãe (o mais sublime), irmãos (o companheiro), amigos (o que você escolhe), o de amante (o avassalador, chega e nem avisa, toca alma e faz sentir borboletas no estômago) e dos bichos (esse ai, você é o escolhido). Cada um com seu encanto e particularidade, mas, irei falar do meu amor maior, aquele que sempre será incondicional, e me faz sorrir, vibrar de alegria só de lembrar. Tentarei resumir o máximo, porém quando o assunto é minha mãe, fica tudo complicado. Faço uma confusão com as palavras, trilhões de pensamento invadem a minha mente (isso ai é a média), e me deixo levar pela felicidade de ter um amor materno.
                                          
Ter uma mãe é uma dádiva, é ter a certeza que o Pai eterno te abençoou desde momento em que você foi gerado. Além disso, é contar com um amparo e apoio para cada queda e choro durante o percurso da vida. Sempre disse que eu escolhi ser filha de dona Suely Anjos, desejei ter uma mainha avulsa, cheia de amor e carinho, doce e muito firme na hora de educar. Não tenho queixas para fazer, amo cada qualidade e defeito dela. Só para constar a minha imensa gratidão, vou relatar algumas coisinhas que talvez nem ela lembre, mas contribuíram para aumentar a minha devoção por minha deusa (apelido ideal para uma mãe encantadora).
Sou a mais velha de três filhas, porém fui a mais mimada e protegida, sempre os meus gritos de apelos eram escutados por minha querida mãe.  Entretanto, devo confessar boa parte dos berros era só para ver o lindo movimento que o cabelo dela fazia, enquanto corria para atender a Fadinha em "apuros".  Outro fato bem marcante foi a minha vontade de aprender a ler e escrever, antes mesmo de ter idade para tal coisa. E ai, começou mais uma demonstração de admiração por minha mãe, eu queria pegar no lápis igual a ela.  Todas as professoras tentaram me ensinar à maneira correta, nada adiantou escrever idêntico a minha mainha, era o meu grande desafio.  As peripécias de amor não pararam por ai, quando ela viajava passava dias com uma blusa dela, era o jeito de acreditar que não estava sozinha. Ficava calma só em sentir o cheirinho da roupa, naquele momento nada podia me atingir, estava com uma super proteção.


Depois que fiquei maior, o amor foi crescendo junto com cada centímetro meu, e uma afinidade tomou conta da relação entre mãe e filha. Já não era necessários gritos e choros para ela entender que a Fadinha estava em apuros, bastava um simples olhar e a deusa acalmava a menina dengosa com um delicioso abraço. Os tempos foram passando, mas o apego não diminuiu nada, para a surpresa de todos familiares o grude aumentou ainda mais.  Quando dona Sú ficava ausente, era como se faltasse um pedaço de mim, o coração palpitava de saudade e a tristeza ganhava espaço. Ficar comigo na ausência de dona Sú, era uma tarefa difícil para as empregadas, tias e avó. Todas elas sofriam com as febres emocionais e uma dose extra de muito choro. E no meio de tanto desespero pela falta que eu sentia, escutava a frase mais batida na infância: "Você já cortou o cordão umbilical, tem que aprender ficar longe de sua mãe. Mocinhas não choram assim!”. Falar isso para mim era o mesmo que nada, não causava efeito algum, a dor não amenizava.
Com o passar do tempo tive que fazer algumas escolhas, crescer era fundamental e amadurecer era tarefa importante.  A vida adulta soprava em meio ouvido algumas palavras de desafio, as dúvidas ganharam espaço em minha mente de menina, mas era preciso ir para longe do ninho, afinal, eu já era uma Fada grande.
Mas, como toda Fada tem asas, voar e buscar outros horizontes era necessário, foi o que aconteceu. Conhecer outros mundos, aprender lidar com os medos e a distância era o ideal para ingressar na vida adulta. Meu desejo era ser madura e segura, essa lição não iria aprender no ninho de minha deusa. E assim, pela primeira vez tomei a decisão de voar sozinha, bater asas em um lugar onde o meu choro não seria acalentado de imediato.
                                 

Quase seis anos fora de casa, longe dos dengos e mimos, e o que aprendi com isso tudo? Muitas experiências, lições que só aprendemos quando alçamos voos sozinhos. Entretanto, o maior aprendizado foi a certeza que mesmo com a distância, todo grande amor prevalece. Hoje, longe de casa e do colo de minha mãe, estou convicta que a amo ainda mais. Porém, de uma maneira madura e passando adiante o conhecimento que só ela me ensinou.  Minha mãe, você será para toda a eternidade o meu amor maior!



"Quando passas, tão bonita  nessa rua banhada de sol , minha alma segue aflita"