Não existe nada mais sublime que ouvir a respiração profunda
do ser querido. Quando ele dorme o universo desacelera, fica em pausa para que
eu contemple toda aquela maravilha. Ele
lá dormindo, e eu do outro lado querendo decifrar seus sonhos.
Com que será que ele sonha? Será que em seu sono ele ganha
asas e voa sobre o infinito? Ou será que
enquanto dorme me leva para o seu eu mais íntimo?
Ah, não sei onde vai parar o seu pensamento neste
momento. O que me interessa é estar aqui
contando os seus suspiros e decorando cada detalhe do seu corpo.
Enquanto ele repousa do meu lado, descubro mais uma pinta,
mais uma marquinha das travessuras de infância.
Em seu sono profundo ele delira um pouco, permaneço apenas observando. Algumas frases
sem nexo escapam dos seus sonhos, e dormindo ele sorri. Um riso tão doce quanto
uma canção de ninar.
Velo o seu sono e leio em Braille as deliciosas linhas que o
lençol deixou em seu corpo. Faço uma
leitura precisa, encontro caminhos, desbravo universos imaginários construídos
neste instante.
Em pensamento baixo, para não despertá-lo, agradeço a
divindade por me permitir enxergar tanta beleza. Suavemente passo meu dedo pelo seu belo
rosto, detalhes que já sei de cor: como pode ser tão perfeito? Fico a me perguntar.
Ele suspira fundo e desperta para o mundo.
Ah, se tu soubesses o quanto fico encantada a te admirar,
passaria mais horas sonhando.
Porque não existe nada mais belo que velar o teu sono, meu amor.


