segunda-feira, 31 de março de 2014

Não existe nada mais lindo que velar o sono da pessoa amada

                             



Não existe nada mais sublime que ouvir a respiração profunda do ser querido. Quando ele dorme o universo desacelera, fica em pausa para que eu contemple toda aquela maravilha.  Ele lá dormindo, e eu do outro lado querendo decifrar seus sonhos.     

Com que será que ele sonha? Será que em seu sono ele ganha asas e voa sobre o infinito?  Ou será que enquanto dorme me leva para o seu eu mais íntimo?
Ah, não sei onde vai parar o seu pensamento neste momento.  O que me interessa é estar aqui contando os seus suspiros e decorando cada detalhe do  seu corpo.
Enquanto ele repousa do meu lado, descubro mais uma pinta, mais uma marquinha das travessuras de infância.
Em seu sono profundo ele delira um pouco,  permaneço apenas observando. Algumas frases sem nexo escapam dos seus sonhos, e dormindo ele sorri. Um riso tão doce quanto uma canção de ninar.
Velo o seu sono e leio em Braille as deliciosas linhas que o lençol deixou em seu corpo.  Faço uma leitura precisa, encontro caminhos, desbravo universos imaginários construídos neste instante.
Em pensamento baixo, para não despertá-lo, agradeço a divindade por me permitir enxergar tanta beleza.  Suavemente passo meu dedo pelo seu belo rosto, detalhes que já sei de cor: como pode ser tão perfeito?  Fico a me perguntar.
Ele suspira fundo e desperta para o mundo. 
Ah, se tu soubesses o quanto fico encantada a te admirar, passaria mais horas sonhando.
Porque não existe nada mais belo que velar o teu sono, meu amor.




terça-feira, 18 de março de 2014

Moradia sonhada


Quero uma casa que tenha árvore
                        Pode ser um pé de laranja ou de seriguela                
Quem sabe de goiaba
Onde exista espaço para um balanço
Uma rede e potinhos de água
Aqueles em formato de rosa que adoçam o bico do beija-flor     
Quero uma janela com violetas e borboletas dançando com a brisa
Crianças brincando no quintal
Cachorros, gatos e todos os pássaros voando livres em nosso céu
Quero um jardim de rosas amarelas, de azaléias e camélias
Quero vaga-lumes brilhando com as estrelas
Noites enluaradas ou de luas escondidas
E no final, quero ter os teus braços para me fazer abrigo.
Dormir no teu peito e esperar o despertar da próxima fantasia.

terça-feira, 11 de março de 2014

"Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas."


Tenho uma mania boba de ficar presa em livros e filmes, vivo tão intensamente que me pego imaginando criando novos finais para eles. A prisão dessa vez é o filme “Her”, uma arte muito semelhante  da nossa realidade atual.
Theodore vive em futuro muito próximo do nosso, onde as pessoas interagem com os seus celulares, em um mundo cada vez mais individual.  Relacionamentos construídos com o auxílio de uma máquina, o que hoje em dia são as redes sociais.  Estamos tão condicionados a buscar pessoas mais adequadas ao nosso jeito de viver que nos interessamos primeiro pelo o que ela se mostra ser na internet. O calor humano, o toque vem depois.
Mas, isso também não pode ser considerado um tipo de envolvimento? Aguçar a nossa imaginação, provocar sensações que só podem senti-las por meio de um encontro físico, pode e tem sua grande importância para iniciar uma paixão. Ninguém se interessa pela falta de afinidades, são as semelhanças que nos permite desejar o outro.




Voltando ao filme, Theodore é alguém que está em um momento de rejeição total. Abandonado pela esposa, ele não consegue enxergar os encantos do mundo, até o momento em que Samantha aparece em sua vida. Quem nunca precisou de algo para se apegar e voltar reviver as emoções já esquecidas? Isso é do ser humano, nós vivemos em uma busca louca pela felicidade.  O problema é que Samantha não é um ser humano, mas sim um sistema operacional,  o contato entre eles é expresso através apenas de uma voz feminina.
Samantha é o que Theodore precisa, ou ela é o que ele acredita precisar no momento.  Com sua inteligência não humana, ela organiza, planeja, alegra e faz Theodore voltar a sonhar. O envolvimento é tão intenso que eles se apaixonam e se permitem viver um delicioso e surreal amor (pausa: qual o amor não tem uma dose de surrealismo?).  Mais uma vez o filme se aproxima da nossa real vida dura. Quando em meios aos devaneios, dividimos risos, medos com quem se faz mais próximo. 
O que prendeu ainda mais atenção foi o fato do personagem principal trabalhar em uma empresa que escreve cartas de amor. Mesmo com tanta tecnologia, a simplicidade ainda é presente e se torna a forma mais romântica de expressar os sentimentos.  Talvez seja isso, por mais que nos tornem reféns da tecnologia, as antigas demonstrações de afeto sempre causarão brilho nos olhos, fazendo o coração bater no descompensado mais que perfeito.

“Her” é uma metáfora do nosso refúgio diário. Por meio de uma sensibilidade ímpar nos permite enlouquecer de amor, sem receios de julgamentos.  Afinal, como foi dito no filme: “Apaixonar-se é uma loucura. É uma forma de insanidade socialmente aceitável”.