terça-feira, 11 de março de 2014

"Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas."


Tenho uma mania boba de ficar presa em livros e filmes, vivo tão intensamente que me pego imaginando criando novos finais para eles. A prisão dessa vez é o filme “Her”, uma arte muito semelhante  da nossa realidade atual.
Theodore vive em futuro muito próximo do nosso, onde as pessoas interagem com os seus celulares, em um mundo cada vez mais individual.  Relacionamentos construídos com o auxílio de uma máquina, o que hoje em dia são as redes sociais.  Estamos tão condicionados a buscar pessoas mais adequadas ao nosso jeito de viver que nos interessamos primeiro pelo o que ela se mostra ser na internet. O calor humano, o toque vem depois.
Mas, isso também não pode ser considerado um tipo de envolvimento? Aguçar a nossa imaginação, provocar sensações que só podem senti-las por meio de um encontro físico, pode e tem sua grande importância para iniciar uma paixão. Ninguém se interessa pela falta de afinidades, são as semelhanças que nos permite desejar o outro.




Voltando ao filme, Theodore é alguém que está em um momento de rejeição total. Abandonado pela esposa, ele não consegue enxergar os encantos do mundo, até o momento em que Samantha aparece em sua vida. Quem nunca precisou de algo para se apegar e voltar reviver as emoções já esquecidas? Isso é do ser humano, nós vivemos em uma busca louca pela felicidade.  O problema é que Samantha não é um ser humano, mas sim um sistema operacional,  o contato entre eles é expresso através apenas de uma voz feminina.
Samantha é o que Theodore precisa, ou ela é o que ele acredita precisar no momento.  Com sua inteligência não humana, ela organiza, planeja, alegra e faz Theodore voltar a sonhar. O envolvimento é tão intenso que eles se apaixonam e se permitem viver um delicioso e surreal amor (pausa: qual o amor não tem uma dose de surrealismo?).  Mais uma vez o filme se aproxima da nossa real vida dura. Quando em meios aos devaneios, dividimos risos, medos com quem se faz mais próximo. 
O que prendeu ainda mais atenção foi o fato do personagem principal trabalhar em uma empresa que escreve cartas de amor. Mesmo com tanta tecnologia, a simplicidade ainda é presente e se torna a forma mais romântica de expressar os sentimentos.  Talvez seja isso, por mais que nos tornem reféns da tecnologia, as antigas demonstrações de afeto sempre causarão brilho nos olhos, fazendo o coração bater no descompensado mais que perfeito.

“Her” é uma metáfora do nosso refúgio diário. Por meio de uma sensibilidade ímpar nos permite enlouquecer de amor, sem receios de julgamentos.  Afinal, como foi dito no filme: “Apaixonar-se é uma loucura. É uma forma de insanidade socialmente aceitável”. 



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