Tenho uma mania boba de ficar presa em livros e filmes, vivo
tão intensamente que me pego imaginando criando novos finais para eles. A
prisão dessa vez é o filme “Her”, uma arte muito semelhante da nossa realidade atual.
Theodore vive em futuro muito próximo do nosso, onde as
pessoas interagem com os seus celulares, em um mundo cada vez mais
individual. Relacionamentos construídos
com o auxílio de uma máquina, o que hoje em dia são as redes sociais. Estamos tão condicionados a buscar pessoas
mais adequadas ao nosso jeito de viver que nos interessamos primeiro pelo o que
ela se mostra ser na internet. O calor humano, o toque vem depois.
Mas, isso também não pode ser considerado um tipo de
envolvimento? Aguçar a nossa imaginação, provocar sensações que só podem senti-las
por meio de um encontro físico, pode e tem sua grande importância para iniciar
uma paixão. Ninguém se interessa pela falta de afinidades, são as semelhanças
que nos permite desejar o outro.
Voltando ao filme, Theodore é alguém que está em um momento
de rejeição total. Abandonado pela esposa, ele não consegue enxergar os
encantos do mundo, até o momento em que Samantha aparece em sua vida. Quem nunca
precisou de algo para se apegar e voltar reviver as emoções já esquecidas? Isso
é do ser humano, nós vivemos em uma busca louca pela felicidade. O problema é que Samantha não é um ser humano,
mas sim um sistema operacional, o contato
entre eles é expresso através apenas de uma voz feminina.
Samantha é o que Theodore precisa, ou ela é o que ele acredita
precisar no momento. Com sua
inteligência não humana, ela organiza, planeja, alegra e faz Theodore voltar a
sonhar. O envolvimento é tão intenso que eles se apaixonam e se permitem viver um
delicioso e surreal amor (pausa: qual o amor não tem uma dose de surrealismo?).
Mais uma vez o filme se aproxima da nossa
real vida dura. Quando em meios aos devaneios, dividimos risos, medos com quem
se faz mais próximo.
O que prendeu ainda mais atenção foi o fato do personagem
principal trabalhar em uma empresa que escreve cartas de amor. Mesmo com tanta
tecnologia, a simplicidade ainda é presente e se torna a forma mais romântica
de expressar os sentimentos. Talvez seja
isso, por mais que nos tornem reféns da tecnologia, as antigas demonstrações de
afeto sempre causarão brilho nos olhos, fazendo o coração bater no
descompensado mais que perfeito.
“Her” é uma metáfora do nosso refúgio diário. Por meio de
uma sensibilidade ímpar nos permite enlouquecer de amor, sem receios de julgamentos.
Afinal, como foi dito no filme: “Apaixonar-se
é uma loucura. É uma forma de insanidade socialmente aceitável”.

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