A intensidade em que os dias seguem
rouba-me os sentidos
Não apenas os cinco,
mas o meu sexto sentindo também é vencido pelo tempo
Não ouço, não falo, não vejo
Sigo a velejar nesse encontro do rio com o mar
E diante da pororoca,
Temo não saber onde a vida parar
Tudo cansa e pesa diante da pressa
Sigo sem os pés no chão,
Falta tempo para aprender a andar
Flutuo entre mundos desconhecidos
Em cada rosto encontro histórias que sonho relatar
Falta-me o tempo,
O ponteiro do relógio acelera
Já não faz sintonia com as batidas do coração
Em um tic-tac solitário
O deus do tempo vem apressar
Rouba os dias, arrasta as noites...
Imploro pelo último sonho
E ele sufoca feito um assassino sem piedade o meu último suspiro
Cai o último grão da ampulheta
Foi-se a vida...
