sexta-feira, 10 de maio de 2013

Ne me quitte pas





Ne me quitte pas em um dia de chuva
Ne me quitte pas quando nossos corpos cansados de tanto amar
Contemplam o primeiro raio de luz que invade a janela do quarto
Ne me quitte pas quando a sua mão toca cada parte minha como se já fosse sua.
E nós dois cegos de desejos lemos em Braille os centímetros das nossas peles
Ne me quitte pas quando em meio aos devaneios, delírios da nossa febre fazemos juras eternas e prometemos mais que a nossa pobre vida pode cumprir
Ne me quitte pas no pôr-do-sol de uma praia que sonhamos ser só nossa
E ali nos amamos, prometemos unir os nossos sonhos
Sem ao menos saber do amanhã
Ne me quitte pas quando o mar for a única testemunha do nosso prazer
Ne me quitte pas quando a realidade bater à nossa porta e insistir que a poesia já não entrelaça
e confunde as nossas pernas
Ne me quitte pas no momento em que bebo uma xícara de café à luz de um abajur
e me embriago na solidão noturna
Ne me quitte pas...

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