Sabe o que é bom da vida? Ter amigos especiais e que te conhecem perfeitamente. Ah, ainda fazem o favor de deixar esse conhecimento como registro.
Carol Rodrigues, obrigada pelas lindas e delicadas palavras. Queria retribuir a gentileza da melhor maneira possível, mas hoje faltou criatividade para tamanha demonstração de carinho.Amo você imensamente, adoro compartilhar as minhas loucuras, alegrias e os meus devaneios. Afinal, "A vida é dura, Charlie Brown!", mesmo a Lucy insistindo que "Todas as noivas são lindas, Charlie Brown!".
"No meio da bagunça de seus dias e dos seus pensamentos, ela
repousa o corpo suavemente sobre os lençóis da cama. Tem ao lado sua felina
negra de olhos amarelado e o aroma de cafeína misturado com algum perfume sensualmente
adocicado impregna o ambiente.
Então, ela despe porque precisa se livrar do que a aperta,
mesmo que sejam apenas as roupas. Na realidade o que lhe toca são os afagos dos
pêlos da gata e o vento que entra sorrateiro pela abertura da janela. Fecha os olhos, porque na sua fantasia tudo
acontece. Projeta toques registrados na pele como se tivessem acabado de
acontecer, umedece a boca e a língua percorre os lábios, enquanto ela se
recorda da avidez da especificidade daquele beijo.
Sente o coração descompassado ao entreabrir os olhos e se
deparar com a realidade. Volta para seu mundo paralelo e sente o coração
acelerar ao entrar no turbilhão confuso em saber o que é lembrança e o que é sentimento.
A dor incomoda tanto
que a obriga a deixar seus lençóis. Passa a mão sobre os poros e suspira
demoradamente. Passa pelo espelho e seu reflexo mentiroso, deturpado pela
confusão dos seus devaneios. Em frente dele há um corpo sinuoso, com curvas
pecaminosamente delineadas e sensualidade exalada na carne da pele macia.
No movimento romântico de seu corpo, examina com minúcia o
que só seus olhos enxergam. A ausência da sua beleza nítida. O espelho
mentiroso lhe rouba o brilho nos olhos e a jovialidade de seus traços. O charme
da intensidade de suas feições. Insiste em transpor o cansaço mental latente e
a preguiça de viver os dias sem paixão.
Suspira novamente e puxa o ar como o trago de um cigarro
aromático ao pensar em paixão, ri com deboche da existência do ar. Pensa na
morte, nas milhares de alternativas e a deseja ironicamente o seu fim. Quer o
glamour de simplesmente não existir para suas aflições. Contudo, se contenta ao
ouvir um miado dengoso, à complexidade da sua existência e a necessidade dos
que a amam de tê-la por perto. Sente frio e quer ser abraçada... Não pelas linhas
grossas do seu cobertor ou pelo aconchego de seu travesseiro, mas pelo côncavo
tépido dos braços daquele que lhe atormenta o sonho. E que levou embora o coração e a magia do seu
conto de fadas. Sabe que a vida continua e mesmo que ela não lhe traga alento, ainda enfeita, enfeitiça, arranca suspiros e
povoa a fantasia que não cabe a ela saber, apenas incitar..."
(Carol Rodrigues)
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