segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Primavera sem elas



 

Lá se vai mais um ano. Melhor: e começa uma nova primavera. Talvez depois de alguns anos longe da narrativa de todas as manhãs do 12 de outubro, já tivesse  me acostumado em acordar sem as duas vozes relatando passo a passo da minha chegada. Mas, ainda sinto falta das duas se estapeando em palavras, só pra ver quem contava com mais detalhes a história da menina do olhão.

Tenho saudades de saber que olhei de maneira analisadora  para cada pessoa do quarto. Gostaria de ser disputada em carinhos, dengos, bolos, doces, arroz grudadinho e café.
Gostaria de ouvir a voz quase  trêmula da minha mãe, ao lembrar que tinha medo de me perder.  Sinto falta dos dois olhares doces, quase parecido com maçã com canela que as duas lançavam pra mim. Olhavam, suspiravam fundo, sorriam e diziam quase em coro: a nossa Fadinha cresceu!

Então, após anos distante disso tudo, usando uma camisola de florzinha e uma meia rosa para esquentar a solidão. Olho para o lado e vejo apenas uma gata preta que exige carinho. Levanto e faço mais uma xícara de café... Paro, reflito por alguns segundos, volto o olhar pra gata. Sorrio e digo: como sou feliz por ser filha e neta das duas mulheres que mais amam a eterna menina do olhão.

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