E toda vez que o coração aperta e a dor se torna
insuportável de conviver, ela fecha os olhos e se joga de sua torre
imaginária. A queda é sempre demorada.
Ao cair lentamente às angústias vão se dissipando. A cada segundo que a
gravidade insiste em puxar o seu corpo, as dores surgem mais fortes, como se
quisessem mostrar a realidade que ela nunca desejou enxergar.
As lembranças do sofrimento fazem o corpo ficar mais pesado.
Agora a queda que era apenas um suicídio mental se torna um pesar mais que
real. Dessa maneira, morre junto com sua áurea de menina. Cai de olhos fechados
para não enxergar os fantasmas que a acompanham nos segundos agonizantes da
queda.
E, quando finalmente chega ao chão, todos os medos estão
expostos como feridas e hematomas nascidos com o tombo. Mesmo caída no asfalto
frio, tenta erguer-se, recupera o fôlego e abre os olhos.
Levanta-se coberta de sangue e colhe o pobre coração jogado
no chão. Limpa o corpo com as lágrimas, que os olhos sem brilho choram.
Anda alguns passos e avista a torre, a mesma da qual se atirou.
Segue em direção do ponto luminoso, é a referência de qual caminho deve seguir.
Então, ela volta a fazer o mesmo caminho, mas de maneira
inversa. Encontra pessoas diferentes no percurso, enxerga ipês amarelos,
arco-íris e um cavalheiro com rosas lindas nas mãos.
Pobre moça lembra-se do quanto é bela a subida, mas sempre
se esquece da tristeza da queda.

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