Com quantas palavras do Drummond eu descreveria a minha, a nossa vida?
Seria necessário suspirar quantas vezes por uma estrofe do Pessoa?
De
quais maneiras imaginárias morreria nos Olhos de cão Azul?
Quantas emoções necessárias para o Monólogo de Orfeu?
E quantas vezes eu precisaria catar a poesia entornada, jogada, pisada no chão para valer uma vida?
Mas a vida vale mesmo todos os versos do coração em desalinho do Poetinha?
Essa mesma vida vale um fim de tarde com as garças do Manoel de Barros?
Irá valer os encantos mágicos do Guimarães Rosa?
Ah, pobre Garrett se soubesse como a ausência dos sinais vitais me fazem
sonhar mais que o último suspiro da lembrança de um amor, de certo ele
teria economizado palavras.
Não sei de quantos poemas se faz uma vida. Mas para a morte basta a
falta de emoção diante do legado deixado por todos nossos esplêndidos
poetas.

Clap, clap, clap, clap. Lindo como a autora.
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